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Mais da metade das brasileiras já sofreu algum tipo de violência
Dados são de pesquisa dos instituto Patrícia Galvão e Locomotiva
Radioagência Nacional - Por Sarah Quines
Publicado em 30/07/2026 07:38
Direitos Humanos
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pesquisa aponta que mais da metade das brasileiras já sofreram algum tipo de violência de parceiros. Por outro lado, apenas 11% dos homens que se relacionaram com mulheres afirmam ter praticado agressões contra parceiras ou ex-parceiras.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, e fazem parte do estudo 20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira

Os pesquisadores destacam o aumento de 45% nos atendimentos na Central de Atendimento à Mulher em 2025 em comparação com o ano anterior. Os números equivalem a 425 casos por dia.

Desafios

Entre as dificuldades apontadas pelas entrevistadas para denunciar o parceiro violento estão a sensação de impunidade, citada por 56% das mulheres, e a demora da Justiça para conduzir processos de violência doméstica, mencionada por 39%. 

Para sete em cada dez entrevistadas, os homens ainda não entendem que algumas atitudes se tratam de violência. A violência mais comum relatada pelas mulheres é a psicológica, seguida pela física. 

Nas situações em que presenciam violência contra a mulher, a maioria das entrevistadas declara que chamaria a polícia ou outras autoridades. Já entre os homens, a resposta mais comum é a da intervenção direta, com ou sem uso de força. 

De cada quatro mulheres, três citaram a Delegacia da Mulher como o canal de apoio mais conhecido. 

O estudo ouviu 1,5 mil pessoas, a partir de 16 anos, de todas as regiões do país. Para os pesquisadores, os resultados indicam avanços promovidos pela legislação, mas a violência de gênero se mantém como uma questão estrutural no país, que demanda atuação articulada do Estado.

Importância da Lei

Sancionada há 20 anos, a Lei Maria da Penha representa um marco legal no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. De cada dez mulheres ouvidas, sete sentem que essa lei tem impacto real na vida das mulheres e mais da metade (54%) se sente mais protegida pela existência da lei. Para três em cada quatro brasileiras, a lei faz com que elas se sintam mais conscientes sobre os riscos de sofrer violência.

Para a maioria das mulheres, antes da Lei Maria da Penha, a impunidade era maior e a proteção às vítimas era menor. Nove em cada 10 mulheres (88%) afirmam conhecer a previsão da lei para casos de violência física, mas menos da metade (46%) conhece a inclusão da violência patrimonial entre as formas de violência previstas na lei.

* Com informações da Agência Brasil.
 

Fonte: Radioagência Nacional
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Radioagência Nacional.
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